terça-feira, 5 de julho de 2011

Só para registrar.

Reli agora um texto, do aniversário de 5 anos de morte do meu pai, onde eu recapitulei, todos os momentos que eu lembrava do pré e pós morte dele. Detalhe por detalhe.

E que bom que eu gosto de escrever. Registrar é importante. Hoje fazem nove. E ler é bom pra relembrar, porque esse tipo de experiência não deve ser apagada, por mais dolorida que seja. É bom para relembrar que, por exemplo, eu continuo com a mesma sensação de não saber ao certo se parece que foi ontem, ou se parece que tem muitos e muitos anos. E com o passar do tempo a memória falha, os detalhes se perdem.

É aquele tipo de coisa que dói mas é bom, se é que você me entende. Porque eu li o texto novamente hoje e fiquei feliz. Muito feliz mesmo. Feliz de ler que quem estava lá me apoiando ainda está na minha vida. Feliz de ter sido firme o bastante na época. Feliz porque eu sempre achei meu pai tão, mas tão foda, que eu acho que até a morte foi feita de uma maneira inteligente e pensando sempre em nós, antes dele mesmo (é uma longa teoria, mas que faz sentido). Como sempre foi. Feliz porque se não fosse isso, exatamente naquele momento, o "susto" nunca viria, e eu não teria crescido tão forte. Eu não seria um terço do que eu sou hoje. É meio engraçado alguém ficar feliz em um aniversário de morte.
Mas foi isso que eu fiquei, feliz porque eu tive um pai incrível, que mesmo indo embora logo me fez ser uma pessoa muito melhor.

E é por isso que é importante registrar. Pra não perder. Para saber de onde vem as coisas. E que eu guarde esse texto dos nove anos de morte, para daqui sei lá quantos, eu relembrar que qualquer coisa que eu seja, aconteceu por causa dele.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O melhor dos dois mundos

Terra do Nunca é aquela ilha da história do Peter Pan, um lugar fictício onde as pessoas não envelhecem. Um universo a parte, uma fuga da realidade. Eu costumo acreditar que na nossa vida vira e mexe aparecem umas Terras do Nunca no caminho para nos “enganar”. Seja lá que grupo for, é aquela coisa toda que parece encantadora a ponto de ser muito melhor que o restante todo.

Na Terra do Nunca as coisas são legais e fazem muito bem pro ego, na Terra do Nunca todo mundo é bonito e simpático. E se ama. E fala a verdade. E quer seu bem. A Terra do Nunca sempre é um lugar muito tentador. E emocionante. Afinal, lá você será sempre jovem! Não poderia ter coisa melhor. E de fato é verdade, a Terra do Nunca é sempre um puta lugar legal. Eu já estive por lá, e frequentemente eu volto.

Acontece que o triste é que as vezes as pessoas caem lá e perdem completamente a identidade. Se tornam meros “Nunquistas”, que só falam assuntos nunquistas e tem preocupações nunquistas, como qual a maneira de conquistar mais “barras de ego” (um dos primeiros posts desse blog foi sobre isso, lembram?) ou coisas assim. Aí você se torna um Nunquista legítimo e abandona toda sua “realidade” em prol de não crescer nunca.

Sabe o que acontece? Um dia o Peter Pan enjoa de você e te bota pra fora da Terra. E aí? Aí você perdeu a identidade, a ocupação, todos os amigos, a família, não tem mais assunto pra conversar e descobre que precisa envelhecer, mas ficou tão por fora de tudo isso o tempo todo, que não sabe como. Eis o castigo, ficar no “limbo” do Nunca!

Por isso, é preciso muito controle e sabedoria. É preciso saber transitar nos dois mundos! Pois o Mundo Real não tem tanto glamour e talvez não tanta diversão, mas é REAL. É de carne e osso. Existe. As pessoas envelhecem e mudam de verdade, e acreditem: isso é bom! As pessoas nem sempre são tão legais assim e isso também é bom! Porque é verdadeiro!

O segredo é conseguir ir e voltar dos dois mundos, se manter jovem de espírito e envelhecer de corpo, ao mesmo tempo. Se divertir, ser bonito e glamuroso, mas também ser de verdade e ter defeito. A Terra do Nunca e o Mundo Real quando visitados na freqüência correta, proporcionam pra gente o melhor dos dois mundos!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Chorinho do Patrão

Na minha pequena experiência como EMPREGADOR, me caracterizei por ser rigoroso com oS horárioS. No plural, ou seja, de entrada e saída. Porque virou moda isso de querer que seu empregado trabalhe mais do que o combinado. E sem receber nada a mais por isso. Dão até nome pra isso, uns chamam de COMPROMETIMENTO, outros de DEDICAÇÃO, bullshit!

O nome disso é TRAPAÇA. Me sentiria igualmente irritado se, ao final do mês, tendo trabalhado as 220 horas regulamentares, minha empregada pedisse para eu pagá-la mais do que o combinado. Em poucas, esporádicas, excepcionais e justificadas ocasiões, precisei que ela trabalhasse um pouco além do combinado, mas foi devidamente remunerada pra isso, depois de ter sido consultada se poderia ficar além do tempo.

Porque é assim que funciona! Ninguém é dono de ninguém, a escravidão acabou e não é o fato de alguém te pagar pelo seu trabalho que pode ser dono da sua vida! Do seu happy hour de sexta feira, do seu sábado de feijoada, do direito de dormir sem ter hora pra acabar no domingo, tudo isso tem um preço, e quando a gente deixa de ter direito a isso, estamos simplesmente sendo roubados. Aliás, eu tenho certeza que jamais seria um "bom patrão", porque sei bem o valor da "vida lá fora", não tenho e não terei, nunca, a ilusão de que o trabalho pode ser mais prazeroso que um episódio de Shit My Dad Says ou de umas risadas na mesa de boteco falando sobre enfiar o pinto no suvaco de alguém. Eu consigo entender perfeitamente alguém que prefere fazer bosta nenhuma em casa ao invés de trabalhar, e olha que eu já trabalhei em alguns lugares verdadeiramente incríveis!

O certo é assim: eu trabalho OITO HORAS por dia, você me paga o que tá escrito no hollerith. Se precisar que eu fique mais, pergunte antes se eu posso, e a gente combina. Fora isso, todo esse seu papinho aí me lembra bêbado em bar pedindo uma dose de conhaque pro garçom e depois de servido, pergunta pelo "chorinho". Não tem chorinho, tem respeito à sua dose, quer beber mais? Compre outra dose, ou seja, contrate mais gente. Que o meu sangue você não vai beber não, é envelhecido 38 anos, vale ouro!

terça-feira, 7 de junho de 2011

E agora, José?!

Foi assunto de um almoço com o pessoal da empresa esses dias uma coisa meio: eu quero estar aqui, mas eu também não quero, mas eu também quero um monte de coisas ao mesmo tempo que eu não sei o que eu quero. Sabe? Não? Mas é isso.

A grama do vizinho é mesmo mais verde que a nossa. Não, não me venha com esse papo de dar valor para o que se tem, pois isso eu já sei e já dou. Sou muito grata a tudo que tenho, todos que tenho e tudo que fiz. Sem dúvida alguma, posso dizer que além de uma certa competência, tenho uma sorte (toc, toc, toc) danada, pois até mesmo as coisas ruins da minha curta vida aconteceram em prol de alguma outra coisa boa.

Mas acontece que nunca é "só isso". Esse negócio de possibilidades enlouquece a gente, eu acho. Ver tanta gente, fazendo tantas coisas. Mesmo sabendo que elas também devem olhar para você de vez em quando e pensar a mesma coisa.

Afinal, eu poderia estar aqui e feliz, como de fato estou. Mas eu também poderia largar tudo e ir abrir uma pousada em Itacaré, ou ir trabalhar num bar em Londres, ou me enfiar num navio em Cozumel, ou estudar moda em Nova York, ou comprar um apartamento em Puerto Madero, ou só trocar o colchão e reformar meu quarto. Porque eu sinto mesmo vontade de fazer tudo isso, mas eu ainda não tive a sorte de ganhar na loteria, afinal só assim eu poderia fazer tudo com um grau mínimo de conforto, sem precisar me preocupar em "construir" nada!

E ao mesmo tempo, eu não sei se eu queria mesmo... Itacaré pode ser quente demais, eu posso enjoar no navio, ou achar os ingleses sem graça demais, e de repente não conseguir conviver com a correria de NY ou o atendimento ruim dos argentinos sem educação. Vai ver aqui é melhor mesmo, mas aí... como é que eu vou saber?

O que parece na verdade, é que fizeram a vida curta demais, para o tanto de possibilidades que ela tem. Definitivamente, não dá tempo de fazer tudo. E ó... vou dizer que escolher não anda nada fácil!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Pra não dizer que eu nunca te dei nada...


Isso tem sei lá quantos anos, acho que uns 5 ou 6, fiz um “curso” em uma empresa e acabei fazendo uns amigos novos muito legais, outros nem tanto, mas eu só descobri bem depois...

Eu sempre gostei de blogs e tinha o do Christian (um dos tais amigos feitos por conta da empresa), cuja caixa de comentários era um show independente do que fosse o assunto dos posts. Lá tinha o advogado da tal empresa, com comentários no mesmo nível e eu vi que ele também tinha um blog muito bem escrito. Óbvio, lá fui eu ler e comentar.
Tem uma parte da história que eu não consigo dizer certamente como aconteceu, mas eu sei que me juntei a uns outros amigos em uma pseudo-família, de bricadeirinha, e meio que do nada o tal do advogado virou meu “tio” (???)! Não tinha lógica nenhuma e chegava até ser uma história meio (leia-se muito) cafona, mas era tudo muito legal, era tudo muito divertido e eu tenho uma saudade desesperadora dessa época.
Nisso, passaram-se algumas visitas ao escritório com os meus “irmãos”, muitos posts comentados, inúmeros e divertidos convescotes no MSN, além de um monte de eventos da empresa...
E aí o escritório do advogado veio parar aqui em The O.C, apelido que ele dava pra Alphaville.
Eu achei legal, mas ficou por isso mesmo, até então. Eis que um belo dia precisou de alguém lá, e ele lembrou que tinha uma mina-“sobrinha” que morava perto. Lá fui eu (com as pernas meio tremendo de fazer reunião com o Capi), e lá estou eu até hoje. E eu acho que ele nem imagina o tanto de coisa que aconteceu comigo por causa disso. “Acho” não, ele não imagina, pois eu levaria todos esses anos que passaram contando. Uma vez eu quis falar um “muito obrigado”, mas não somos exatamente o tipo de pessoa que se comove com um ato desses e sim com entender isso no contexto da coisa, saca?!
Ah, eu não disse? Tem uma caralhada de coisa que ele é igualzinho a mim (deve ser a genética, afinal é meu “tio”), e outra caralhada que somos milimetricamente diferentes.
Aí uma hora ele foi tomar outro rumo, eu fiquei, e dá saudade, mas é bom. Tem épocas que a gente se fala sem parar, tem épocas que a gente só filosofa sobre a vida alheia, tem épocas que a gente dá umas férias na amizade (eu já falei aqui no blog sobre minha teoria de férias de amigos, hein?) e é assim mesmo que eu acho que tem que funcionar.
E nós um dia resolvemos montar um blog, pra poder escrever sobre nosso baixo nível de tolerância com as babaquices, psiquês e histórinhas das pessoas e do mundo.
E eu hoje, resolvi usar ele para dar parabéns pra um taurino aniversariante...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ah, o descontrole...

O e-mail mais legal da minha semana foi horrível. Sim, porque foi uma coisa mais ou menos como "Estou muito puto, desapontado como não fico há tempos, frustrado, blá blá blá...." Ou algo do tipo.
E foi o e-mail mais legal da semana. Porque é veio de alguém que raramente faz isso. Daquele tipo de pessoa invejada pelos outros por sempre ter uma boa resposta, ou uma boa solução. E tá aparentemente, sempre bem, enquanto os outros estão se descabelando de nervoso. E eu detesto gente inabalável. Gente que sempre tem uma razão, uma palavra sábia, um pensamento reflexivo para contornar as coisas chatas que acontecem com a gente. Fiquei tão feliz de ver que essa tal pessoa também pode ser um pouco descontrolada.

Detesto gente que não surta. Essa gente perfeita, que domina as próprias emoções e nunca passa do limites. Até porque, pouco acredito nessa espécie. Acho que nem existe. Tanto autocontrole no mínimo esconde alguma frustração, um passado negro, sei lá, qualquer coisa. Gente sem crise me gera desconfiança.

Gente de verdade tem defeito, fica puto, grita, tem vontade de matar. Gente de verdade tem crise de choro, xinga as pessoas, fica magoado. Gente de verdade surta, perde o controle. E isso é bom! É bom, pois passa e deixa a gente mais forte. E se sentindo mais "de carne e osso".

domingo, 1 de maio de 2011

Vou te contar, viu...

Homens, por maior que seja a dor, nunca reclamem de chute no saco. Vocês não sabem o que é sofrimento. Nada, nada mesmo é pior na vida que possuir uma mente feminina. Sim, nós sofremos com ela. Muito. Muito mais que uma dor aguda, suponho que deva ser horrível, mas uma hora passa.
Agora imaginem, carregar em si mesmo o tempo todo uma caixa craniana cruel, que maquina, imagina e conclui as sinapses mais maldosas consigo própria possíveis?! Pois é assim que funciona estas mentes perturbadas.

Pensamento linear é algo com que nós não trabalhamos, esses que vocês adoram. Nós invejamos. Não nos atemos aos fatos, definitivamente. Isso é muito pouco. Tem sempre mais espaço para pensar no "E se...", no "Mas..." e no "Tenho certeza que não é bem assim...". E todas nós deveríamos ganhar dinheiro com isso, pois se tem uma coisa que predomina, é a criatividade. Como somos criativas e capazes de criar histórias e possibilidades e dúvidas e certezas absolutas. Impressionante. O que os olhos não veem, nem sempre o coração sente, mas certamente a cabeça imagina. Com riqueza de detalhes. E dos mais sórdidos, pode apostar.

Fora aquele tal daquele sexto sentido. Ô trem chato. Preferia que minha parte viesse em cólicas menstruais, que são resolvidas com um Buscofem. Mas não... é aquele pica-pau chato, cutucando você, até que resolva criar uma paranóiazinha básica. Pois é o que fazemos de melhor. Sexto sentido na verdade, só serve para antecipar que você vai se foder no final, e começar a sofrer antes. Já viu a "intuição feminina" intuir coisas boas? Uma em um milhão, o resto é tudo vale-pica.

Talvez na próxima encarnação eu queria vir um homem gay, porque gostar de mulher também não deve ser fácil, mas ser uma é pior ainda.