quarta-feira, 2 de março de 2011

5 Razões Pelas Quais... eu odeio o carnaval!

1- A Globeleza. Eu odeio a Globeleza, com aquela dancinha, os braços rodando e o sorriso no rosto... aliás, esse meu bode de SORRISO NO ROSTO deve vir dos professores de aeróbica dos Anos 80, mas é ela aparecer na televisão e me bate uma depressão, uma vontade de entrar pro IRA e explodir coisas, ou virar a Glória Perez e escrever novelas (o que eu acho mais nocivo pra humanidade do que muitos genocidas)... e nem é o caso de desejar a morte dela ou comemorar se ela morrer, como no caso do Rogério Ceni, a Ivete Sangalo, SandyeJúnior, dentre tantos, pois ela não é uma pessoa, é uma entidade, praticamente um monumento à nossa cretinice e mediocridade! A Globeleza aparece todo ano para nos lembrar o quão burros e babacas nós somos, todos nós, os que gostam o carnaval e também os que toleram, pois não fazer nada pra acabar com essa desgraça é uma forma de permitir que ela continue acontecendo.

2- As Músicas. Será que eu preciso esclarecer que não estou me referindo às músicas do Lamartine Babo, as marcinhas, o "se você fosse sincera ooooo aurora"? Ou mesmo os samba enredos BONS do Rio, aqueles do xinxim e acarajé ou o explode coração do Salgueiro, a minha alegria atravessou o mar e ancorou na passarela, tudo isso é muito legal! E meu Deus, sei que sem o carnaval, nós não teríamos a obra magistral que é "Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida", mas for christ sake, todo mundo sabe do que eu tou falando, né? A gente tá falando das, na falta de denominação melhor, MÚSICAS BAIANAS. Sim... e a gente que achava Daniela Mercury um semi-lixo, teve que aturar Ivete Sangalo e Cláudia Leitte pra fechar o caixão! E a coisa piora, de Caralho de Asa de Águia pra Chiclete com Bosta e por aí vai, até chegar em Rebolation e Tchubirabirom, se eu tivesse uma empresa, demitiria quem passa carnaval em Salvador ou participa de algo que tem envolvimento com essas coisas!

3- A Baianização equivocada de tudo. Então, o termo "baianização" aqui não tem nada a ver com a maneira como os paulistanos médios eleitores do Maluf que acham o Kassab massa a utilizam. Aqui, é uma tentativa de mostrar que quando o Caetano fala "a Bahia tem um jeito", ele não tá falando de abadá e pipoca. Porque, graças ao carnaval da Bahia, fica parecendo que é a única coisa que presta na Bahia, coisa equivocada de gente preguiçosa que nunca ouviu João Gilberto ou leu Jorge Amado. Tem gente que não curte Jorge Amado, principalmente quem nunca leu. Eu acho que "Capitães de Areia", "Quincas Berro D'água" e "Velhos Marinheiros" são obras primas da literatura mundial e pronto, minha caixa de e-mails mental rejeitará automaticamente as opiniões contrárias. Sem falar na culinária baiana, disparado a melhor do Brasil. E as praias. Mas experimente, fale Bahia para as pessoas ao seu redor e mais de 50% vai pensar em "tirupéduchão e balança as mãozinhas"...

4- Bailes de carnaval em clube high-society. Eu já falei que no dia em que me tornar Caudilho Supremo e Soberano da Humanidade por la gracia de diós, minha primeira medida será acabar com os bailes do havaí em cidades do interior. E a origem desses bailes patéticos é o baile de carnaval em clube metido a reduto da high-society. Nada é mais deprê. A própria existência desses eventos é deprê, pois membro da high que vai nesses bailes de carnaval é porque tá mal das pernas, bateu uma quebradeira e não conseguiu viajar. E aí, os filhos pentelham, a mulher enche o saco, e o cara vai pro Ipanema/Country/Clube de Campo dar uma satisfação à sociedade. E é uma bosta! As músicas ruins, o babaca que vai fantasiado de Batman, os bloquinhos com camisetas e frases ridículas, o cunhado que arruma briga com o pessoal do Jiu Jitsu, o pessoal do jiu jitsu dando em cima da sua mulher e ela insinuando que você deveria "tomar providências"... sem falar no clássico rito de passagem do pai dar lança-perfume pro filhão de 16 anos, mas sempre advirto que isso não significa que ele vai levar numa boa quando achar uma ponta de baseado na mochila do mesmo filhão.

5- Carnaval BOM em cidade do interior. Olha, acho que ISSO é o que mais me irrita! Disparadamente! Porque alguém, em algum momento, sem o menor critério, decidiu que uma cidade do interior completamente desinteressante TEM UM CARNAVAL DO CARALHO! Seja Porangatu, Jaraguá, Diamantina, Puta Que Pariu do Passa Quatro ou Casa do Caralho d'Oeste, tem sempre um mito de que nesses lugares o carnaval é BOM DEMAIS! Por que? Tem mulher demais, dizem... ou então, a mulherada dá, meu Deus, já dizia o meu bróder-guru-xamã Benal: quer comer essa mulher? Dá cachaça pra ela, deixa ela bêbada! Sim, isso diz bastante sobre os nossos méritos e competências, mas é a mais pura verdade! Portanto, coloca uma mulherada junta, ouvindo música ruim numa cidade sem absolutamente NADA pra fazer, bebendo enlouquecidamente, o que elas vão fazer a não ser DAR? Porque também tem o lance de não poder voltar pra cidade de origem sem trepar, sem beber até o estado comatoso, sem dar um vexame, isso é o ESPÍRITO DE CARNAVAL? Beleza, vai aí que, como dizia Paulo Francis, mando o Detefon no meu lugar!

5.1 Bonus Track: Descobri recentemente que Votuporanga foi alçada pelas autoridades competentes a Cidade Completamente Desinteressante Onde o Carnaval É Bom. E isso meio que explica tudo... sim, tenho raízes Votuporanguenses, apesar de ter nascido em Rio Preto e na verdade, acho que ISSO explica muito sobre Votuporanga: minha vó morava lá, mas aparentemente nem pra fazer um parto servia e a pessoa precisava andar 80 Km pra dar a luz em Rio Preto. Foi lá que, com uns 6 anos, vi A CENA. Minha mãe com um micro-micro-micro vestido verde encarnando uma Sininho, em cima de uma Rural-Willys à guisa de carro alegórico, uma garrafa de Johnny Walker Red Label na mão e todo mundo à minha volta gritando GOS-TO-SA, GOS-TO-SA... Não, carnaval pra mim não rola!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

5 Razões Pelas Quais... valeu a pena trabalhar na BS!

1- Ser professor. Talvez nem todo mundo saiba, mas eu sempre quis ser professor. Quem leu Além das Portas, talvez desconfie, mas indo além, eu queria ser professor de Educação Física. Minha mãe é, dá aula até hoje na universidade e eu fui criado lá, até ginástica esquizofrênica eu fiz (sei que o nome é outro, mas termina em "ênica", e pra quem chamou afundo com potência de afundo com substância, tá liberado) lá no início dos Anos 80, mas fui convencido a desistir. Da Educação Física, não de dar aulas. Só que não rolou. Até que um dia em 2006, há 5 na BS, o Tadeu, que é um dos integrantes do zeitgeist original da empresa, me liga falando que estava montando tipo uma escola de formação de gestores e coordenadores de academia e queria um módulo jurídico, sugerindo que eu fosse esse cara. E sem ele saber (apesar de que eu acho que já falei), acabou realizando um sonho que dura até hoje: duas vezes por ano - mais ou menos - sou "professor" pra um pessoal, e assim como o jantar semestral da cornetagem que rola com o corpo docente dessa escola, é uma das coisas que eu mais gosto de fazer.


2- Convivência com o Paulo. As pessoas tem vícios, dos mais variados tipos e eu tenho vários. Um deles é em inteligência. Não consigo não me aproximar e tentar forçar uma "amizade" com gente inteligente. É claro que INTELIGÊNCIA tem vários significados e enfoques, mas todos eles me encantam, desde inteligência específica até um certo tipo de inteligência meio "evil" - tá, sei que não devia, papai do céu castiga, mas eu gosto. E na BS, convivi no ambiente mais inteligente possível. Eu acredito que inteligência seja algo contagioso e até meio magnético. De todos os "outliers" com quem convivi lá, se destaca o Paulo. Fui, durante muito tempo e na maioria das vezes pelas costas, acusado de ser puxa saco ou subserviente em excesso, a Laura mesmo diz que eu não consigo simplesmente GOSTAR ou SER AMIGO, eu tenho que me comportar como FÃ. E era assim. Certo, errado? Caguei. O Paulo talvez seja a pessoa mais inteligente com quem eu convivi e aprendi muita coisa com ele, mas muita mesmo! É que eu acho que faz parte da construção do indivíduo e da edificação do caráter, que caguem na sua cabeça. Sei que os adeptos do Piaget, Montessori e neohippies construtivistas vão achar um absurdo, mas levar cagada na cabeça é fundamental! Claro que você precisa dosar até quando vale a pena usar o shampoo fecal, mas eu prefiro assim. Encurta o caminho e toda vez que eu vejo alguém com um discurso muito bonito pra cima de moi, o imagino escondendo um tubão de KY e as mais malignas e perversas intenções que envolvem a participação involuntária do meu cu. Uma vez, ele disse que eu jamais seria líder de porra nenhuma e que foi um erro me mandar para o LAV, mas como eram 9 e ele gosta de números redondos, me mandou. Na época, fiquei veadinhamente magoado, mas depois, reconheci que deveria agradecê-lo. Porque ele tava certo, primeiro. E segundo, porque existe um milhão de possibilidades que não envolva ser LÍDER ou algo que na maioria das vezes tem a ver com essa filosofia de funcionário do mês do Mc Donalds e retrato na parede. Devo muita coisa e gratidão ao Paulo especificamente, e costumava dizer a ele que considerava um dos meus patrimônios intangíveis o fato dele, uma pessoa desconfiada por natureza, assinar sem ler os papeis que eu levava pra ele.


3- A Rachel. Eu e a Rac éramos primos distantes que, quando se encontravam, dava merda (no bom sentido). Me lembro como se fosse hoje quando vim ver o show do U2 em São Paulo e ela já me viu e foi falando: "Meu, nós vamos sair logo mais com uma amiga minha, falei mó bem de você, mostrei foto, tá no esquema" - claro, época em que eu era magrão e nadava abaixo de 47, mais fácil armar esses esquemas. Mas a gente sempre se curtiu demais, sempre deu muito certo, sempre foi muito parecido em muitas coisas (boas e ruins), e de repente, estávamos ali, trabalhando juntos, nos vendo todos os dias, compartilhando um monte de coisas, inventando apelidos engraçados pros desafetos e, principalmente, se ajudando. Eu fui uma pessoa muito "ajudada", acho que o espírito de solidariedade das pessoas aflorava em virtude dos pais pouco convencionais que eu tive, e tenho muito o que agradecer eternamente a um monte de gente. À Rac, tenho muito, pra sempre, e não vai ser aqui que vou fazer, mas ela foi uma das coisas essenciais na minha passagem pela BS e que vou levar pra sempre.

3.1 - Ela, o Paulo, o Preto, o Fernando, Rafa, Edu, Christian, Magoo, Alê Barros, Dutrinha, Crocco, Marcelino, Rogério, Sandrinho, Berg, Ivani, Paty & Tati, Capi, Cebola, Robin e Sandrão. Essas pessoas foram essenciais na minha vida enquanto ela esteve diretamente ligada à BS. Cada uma dessas pessoas me ensinou algo diferente e como diz o Nick Hornby, entraram na lista de pessoas que mudaram definitivamente a minha vida pra melhor.


4- O time de Sorocaba. Isso foi a coisa que eu mais gostei de fazer nos meus 10 anos de BS: "liderar" o Time de Sorocaba. E eu tenho pra mim que foi uma coisa tão bacana e tão bem feita, que o Paulo pudesse estar só um pouquinho errado no que ele disse, mas não vem a caso. Foi uma tremenda experiência que eu nunca vou esquecer. Ainda que sempre me lembre de ter praticamente negligenciado metade do segundo ano de vida do meu filho e ter achado mais importante finalizar uma reunião do que obter mais informações sobre o meu pai que tinha acabado de ir pra UTI. Ainda assim, foi bom demais! São muitas coisas que eu nunca vou me esquecer, e até hoje me pego stalkeando a vida do Cris, do Nandão e do Gui pra ver como andam os "meus meninos" na empresa...


5- Aprender a falar igual gente. Essa, foi a mais importante de todas e devo, principalmente ao Preto (outro cara a quem devo tanta coisa que nem sei por onde começar). Antes de trabalhar lá, eu falava - e escrevia - "como advogado" e isso irritava tanto o Preto, que era comum ele dizer "Porra, Randas, fala igual gente"! E eu aprendi, ainda bem, pois ninguém suporta gente que fala igual advogado. Tanto isso é verdade, que o Tadeu, quando me apresentou no Rex, ressaltou isso como uma de minhas qualidades. Pode parecer besteira, mas conseguir mudar um comportamento arraigado exige muito mais do que a gente pensa... e eu sei é que valeu a pena!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

5 Razões Pelas Quais... vale a pena fazer regime!

1- Tudo aquilo que todo mundo sabe. Sim, você conduziu sua vida a essa condição, esse peso, essa afronta à sociedade, então, cabe a você fazer algo a respeito. Senão, você vai morrer! Não daqui uns anos, de infarto fulminante, mas amanhã! Deixará o seu filho órfão, sua mulher viúva etc... E aí, você precisa fazer um regime, simplesmente para sobreviver. Ou emagrecer, se tornar mais saudável, TODO MUNDO diz que a única preocupação é com a saúde, zero aspecto estético, então vamos lá! O aspecto estético também conta, claro! Dá a mó vontade de ser aquele cara que entra num lugar e alguém quer dar pra ele! Só pelo que viu, sem essa de "tirar a diferença no braço", minha vida sempre foi essa coisa de Ayrton Senna na Lotus, chega! Ah, eu sou casado, você dirá, mas só por isso, acha que eu tenho vida fácil? Regimão, vamos lá! Tá com fome? Toma um copo d'água, come uma plaquinha de colágeno, dorme que passa...

2- As pessoas param de te encher o saco. Existe uma enorme, gritante, abissal diferença entre pessoas preocupadas com você, querendo o seu bem, daquelas que querem simplesmente te encher o saco! E você sabe quem eles são. Na minha família, em Goiânia, tenho os melhores exemplos, é gente que me vê e começa a falar que eu vou morrer. Fazer regime te afasta dessas malas? Numas... porque deveria existir uma espécie de pulseirinha tipo da do Lance Armstrong ou as Power Balance, que te identifca como "gordo fazendo alguma coisa a respeito", assim, os babacas pulavam a encheção de saco. Mas não tem as tais pulseirinhas, e aí, mesmo que você avise que tá fazendo regime + indo ao médico + indo TODOS OS DIAS à academia, eles vem contar caso de um fulano que morreu de infarto antes dos 40 e que está preocupadíssimo com você e só fala para o seu bem. Meu Cu! Mesmo assim, fazer regime te deixa melhor perante essas pessoas, vai por mim.

3- Exercita a memória. Quando você passa a comer de 3 em 3 horas já saca que isso tá mais pra posologia de remédio do que a maneira como você se relacionava com a comida, né? E aí, já sabe que nesses intervalos de 3 horas só vai comer algo que não dá o menor prazer. Tentei pensar em uma metáfora envolvendo sexo, tipo, é igual a trepar... não tem. Nada envolvendo sexo é tão ruim quanto isso. Mas o lado bom é que você começa a se LEMBRAR como é bom aquele chopp brahma black! Hagen-Daaz de morango com cheesecake ou doce de leite! Paella! Uma picanha inteira no espeto, com aquela sacrossanta gordurinha! Todos os bolos da minha tia! Sanduíche de pernil do Estadão! Pamonha frita do Serra Dourada! Pipoca de microondas! Dobradinha! Sim, eu detesto dobradinha, mas deve ser melhor do que essa merda que ando comendo... aliás, outro dia eu comprei umas papinhas de fruta sem adição de açúcar da Nestlé e tem uma de caju que é tão, mas tão ruim, que eu não tenho a menor dúvida que deve fazer muito bem pra saúde!

4- Você tá desculpado. Meu bisavô, quando fez 80 anos, dizia que a única vantagem de se atingir essa idade é que você pode peidar na frente dos outros que tá tudo bem, "ah, ele tá velhinho, coitado..." Quando você tá de regime, eventuais escrotidões e maior permanência do estado de mau humor já estão desculpadas e compreendidas. "ah, ele tá comendo de 3 em 3 horas..." Certeza que o Hitler concebeu algum dos seus planos malignos durante uma reeducação alimentar! Não que ele tenha sido desculpado por isso, mas você vai me desculpar por esse exemplo cretino, afinal de contas, tou de regime, comendo alface e rúcula todos os dias!

5- Quando você morrer, já sabe. Dependendo da corrente teológica que prevalecer acerca de "vida após a morte", existe uma chance de você ir pro Céu ou pro Inferno. No caso de você não ter sido um cara muito bacana, periga ir pro Inferno, é sempre uma possibilidade, por isso, se você já fez regime, sabe mais ou menos como é. Não pode comer doce nem nada que seja gostoso, não pode beber, os únicos livros são do Chalita e toca sertanejo universitário. Sexo tá liberado, mas saiba que você vai ter que trepar com esse tipo de gente que não bebe, come coisas saudáveis, lê livros do Chalita e ouve sertanejo universitário...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Não alisa, toca!

Ou o clássico "cala a boa e beija!"... dá na mesma, mas a frase do título foi num show em que eu estava, o guitarrista envolvidíssimo com uma complexa punhetação com seu instrumento musical, e um bróder meio exaltado berrou da fila do gargarejo:

- Não alisa, toca!

Não é quase a mesma coisa que o "cala a boa e beija"? Gente que fica no bla bla bla ao invés de ir pro que interessa? Vira e mexe eu me deparo com situações desse tipo. Falação e mais falação, argumentos risíveis, linhas de raciocínio cretinas que nem passam perto do mérito da questão e ridicularizam quem pode até ter razão, mas acaba perdendo por não saber ir direto ao que interessa! Ah, mas então será que é o Randall incoerência dizendo que é possível a forma se sobrepor ao conteúdo? Não, é o Randall putão com gente que consegue fazer com que uma forma grotesca e burra sequer aborde o conteúdo!

Tem briga boa? Não, não tem. Mas é preciso saber avaliar em quais brigas vale a pena entrar. Me vem na cabeça, agora, dois exemplos imediatos:

1- Minha mãe me dando uma espancada corriqueira, eu começo a emitir humilhantes gritos pedindo pra ela parar, vem a vizinha de porta, toca a campainha, inicia um discurso sobre os malefícios de espancar crianças, leva uma bifa na cara. Já viu minha mãe? Briga ruim, sô!

2- Um bróder querendo estacionar de ré, liga a seta e se direciona à vaga. Vem uma vaca e cola. Ele acena, pede, quase implora. A dondoca tira o braço e, ironicamente, o manda "andar"... Ele anda uns 10 metros e dá ré com tudo no carro da vaca. Que desce perguntando se ele é louco... pergunta desnecessária, claro, o que você FAZ fala mais alto do que aquilo que você diz, mas aí vem um cidadão "de bem" todo se dizendo testemunha dela, o que aconteceu? Levou uma muqueta no meio da lata, nocaute no primeiro assalto!

Moralzinha das histórias: vale a pena comprar briga com quem espanca criança ou dá ré pra bater o próprio carro? Claro que não! Briga não vale a pena nunca, mas é fundamental que você entre numa briga que tem chance de ganhar. E com louco (permanente ou momentâneo), a chance é zero! Outro tipo de briga inglória é o que eu vivo falando pra Laura quando ela discute com o irmão dela, briguinha que se assemelha à do Ronaldo com o Neto... eu falo que é a mesma coisa que brigar com argentino que já foi expulso em partida de Libertadores, saca? O cara já perdeu, já era, o máximo que você vai conseguir é ser expulso junto.

Dá pra ganhar briga com quem é "maior" que você? Opa! Já ouviu falar em Davi x Golias? Calcanhar de Aquiles? Os 300 de Esparta (Tá, eles perderam, mas cacete, só o tanto que resistiram já faz com que mereçam entrar na lista, né?)? Itália x Brasil em 82? Corinthians x Palmeiras na Libertadores de 2000? O que existe em comum nos casos todos citados? Que o "grandão", nesses casos, tem um PONTO FRACO. Mas o ponto fraco tá exposto? Não! O que precisa? Conhecer o adversário, e pra isso, é preciso inteligência.

Aí, alguém que sabe de uma briguinha rolando aí nas "Redes Sociais" vem me perguntar se eu conheço os pontos fracos do Gigantão... opa! Claro! Mas diz aí, Gilberto Gil:

"Não te ensino minha malandragem, nem tampouco, minha filosofia, quem dá luz pra cego é bengala branca e Santa Luzia!"

Agora, se tem uma briga boa de ganhar é contra quem, além de ser menor que você, é BURRO pra caralho, aí é só dar uma de Anderson Silva e enfiar o pé na cara no comecinho da luta, além de tudo, todo mundo vai continuar te achando o máximo!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O que falta...


O que falta...

Andei fazendo um curso na empresa em que eu trabalhava que não dá pra explicar direito, basta dizer que eles nem gostavam que a gente dissesse que não era um curso. Era o quê? Uma vivência, um processo, um compartilhamento de aprendizado, vomitou? Então vamos lá, nesse compartilhamento de aprendizado, eles disseram que o problema era olharmos o que falta, e não o que farta. Não, não se trata de uma piadinha, ou se trata, mas um joguinho de palavras, sendo faRta referente a fartura.

E aqui na Bahia, se tem algo que rola muito é fartura. Mas olha, muito MESMO! Só que tem as coisinhas mal planejadas, que poderiam ser melhores, ter um cuidado mais especial...

A logística das coisas é bem cretina e eu tento, juro que eu tento, fugir da obviedade de lembrar que o hotel faz parte de uma rede portuguesa. O lance das espreguiçadeiras, por exemplo. Acho que existe um horário massa pra você pegar uma espreguiçadeira num lugar legal, e deve ser entre 4 e 4 e meia da manhã. Tudo bem, em Roma como os romanos, mas aí eles colocam uma baita placa dizendo que é proibido reservar espreguiçadeiras... no caso, é aquele ato de chegar, colocar a toalhinha na dita cuja e voltar pro quarto, sabendo que o seu lugar tá reservado. Sem falar nas espreguiçadeiras na praia, um capítulo à parte. Odeio coisas que são proibidas! Odeio essa coisa Big Brother de I'm watching you só pra dar medinho! Proibido o caralho... ninguém fiscaliza a proibição, ninguém faz bosta nenhuma.

São poucos garçons, pouquíssimos. Tudo bem, eu entendo, mas então, permitam que eu me sirva. Não, eles fazem questão!!!! Tenho tomado muita água, pedi pra deixar uma jarra dágua na minha mesa, que ia embora fácil junto com o vinho branco honesto bem gelado, mas não pode. O garçom promete que vai me servir quantas vezes for preciso, mas desaparece... transgredi, claro, ia até o balcão e colocava água no meu copo, sue me!

O Kids é uma piada. De mau gosto. Existe, em teoria, uma divisão entre crianças de 4 a 7 anos e de 7 a 12. Na prática, fica tudo misturado e os dois monitores cedem às chantagens das crianças maiores, deixando os pequenos sem ter o que fazer. Ontem, estava previsto na folha de atividades um Caça ao Tesouro. Passei pelo Kids com o Duda e estavam umas crianças jogando totó, outras correndo pelo espaço e os monitores conversando. Hoje, ia rolar arborismo depois do "filminho", mas os monitores colocaram outro filminho e depois ficou tarde...

Falando em totó, não era para um resort nesse nível ter um com um "espeto" faltando!!! Ainda bem que o Duda ainda não entende e se diverte do mesmo jeito, senão, era bem capaz de eu ir fazer mãozinha de Odete Roitman...

E tem o restaurante. O Restaurante, aparentemente. Comida meditarrânea, menção em guias de viagens, tem que fazer reserva e só pode entrar de calça. Oi? Calça comprida? Sim. Bom, duas coisas: eu fui pra Bahia, um lugar onde um dos benefícios indiretos é não ter que colocar calça, ou mesmo "uma roupinha melhor pra festa". Odeio ter que colocar uma roupinha melhor pra festa, normalmente, a minha noção de diversão está intimamente ligada com o despojamento nos trajes. Segunda coisa: a Laura ia comer o meu cu com areia! "Custava ter trazido uma calça?", foi o que um cara me perguntou e eu imaginei que a Laura também perguntaria, com fúria, ódio e rancor inclusos, mas não é uma questão de vestuário, é uma questão de princípios! Quem esse restaurantezinho pensa que é pra falar que eu só posso entrar de calça? Mas a Laura achou uma falta de bom senso total esse negócio de só poder entrar de calça, bem como não avisarem na hora que compramos o pacote, ou seja, me safei e não fez falta, enfia o restaurante no cu!

Enfim, são detalhes mínimos e eu nem deveria ter escrito isso, pois eu me diverti e curti a Laura e o Duda como nunca! Valeu cada centavo, mesmo que a Paella estivesse escrita com "J" e era feita com macarrão ao invés de arroz, e que na cuba onde estava escrito "Tempurá de Camarão" só tinha vagem...

* Legenda da foto: Não gostou? Vai reclamar com o Bispo!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A Bahia tem um jeito...


Tinha uma semi-amiga da Laura que possuía o mórbido prazer de me irritar. Não me importo tanto assim, o problema é que ela era monotemática. O lance dela era ficar falando que a gente precisava passar um carnaval em Salvador, já sabendo tudo o que eu penso a respeito. Até aí, tudo bem, o problema era comigo. Eu reagia exatamente como ela queria que eu reagisse: argumentando. Argumentos razoáveis, óbvio: que é coisa de idiota, quem passa Carnaval em Salvador precisa cagar amarrado pra não comer a própria bosta e assim por diante. Debalde.

Até que um dia, eu agi sensatamente, falei que tudo bem. Que a gente iria, era só olhar o preço das coisas, que a gente ia. Pronto, acabou a conversa. Porque a pessoa em questão é o tipo de gente que acha aceitável pagar R$ 2.000,00 num abadá, enquanto eu preferiria viver num mundo sem nem saber o que é um abadá. Ou seja, Abadá x 2, mais avião e otras cositas más, a Laura já sacou que não valia tanto a pena assim. Que, com a mesma grana, daria pra fazer muitas viagens muito mais legais. Findo argumento.

E aí eu acabei angariando essa fama de não gostar de baianos, ou não gostar da Bahia. Fama injusta, diga-se de passagem. Eu não gosto do Carnaval de Salvador. Não gosto de Carnaval enquanto coisa, sendo o de Salvador o exemplo perfeito da desgraça. Detesto capoeira. Viro o Jack Nicholson do meio pro final de "O Iluminado" se eu ouço um berimbau. Acho essa merda de "axé music" uma das piores coisas do mundo, e o fato dessas coisas meio que estarem na Bahia é uma mera e infeliz coincidência. Eu gosto de lá. Não gosto de Salvador no sentido de... jamais pagarei para ir pra lá, entende? No meu conceito de férias, diversão e lazer, Salvador não entra. Mas e daí? É só uma cidade, também não pretendo passar minhas férias em Curitiba, Vitória, Belo Horizonte, Campo Grande, Cuiabá, Belém ou Porto Velho, mas parece que falar isso de Salvador "dá pobrema".

Sobre o sotaque, não é que eu não goste, eu só acho engraçado. Sério. Uma vez, a Lau me disse que o Caetano e o Gil cantam num inglês engraçado, e aí eu percebi que era coerente, pois pra mim, falavam um português igualmente engraçado. Algumas palavras, mais que as outras. O Caetano, em "Beleza Pura", por exemplo, quando fala "Fé-dé-ração", achei que era um lance rítmico/melódico, mas eles falam assim, com acento agudo forte e uma oitava acima nos "e". Quando alguém te explica ou pede alguma coisa, você diz: "beleza" ou "tudo bem", né? Eles dizem "Prooooooonto". Você pede para buscar algo rápido? "Pega a cueca do Duda pra mim, Laura, rápido?". Pra eles, é "ligêro". E o melhor de todos, pra mim, como eles falam CANALHA. É um CÃ bem pronunciado, quase do fundo da garganta, com uma pequena pausa, e o resto da palavra depois. "Fulano de tal é um CÃ (pequena pausa) nalha".

Sem falar que, Paul, George, Ringo e Paul que me perdoem, mas já faz uns 3 meses que ando achando "Acabou Chorare", dos Novos Baianos, o disco mais sensacional de todos os tempos.

E até hoje nada foi inventado que possa substituir o acarajé...